Esta semana, o filósofo e escritor Fabiano de Abreu teve publicado conceito que desenvolveu para publicação no Impala, baseado em seus estudos que revelam um fenómeno comportamental característico dos nossos dias, e que está a fazer com que a geração atual não se consiga colocar no lugar do outro, a tornar-se cada vez mais individualista e indiferente com o próximo.
“Separados por uma tela, a nova sociedade virtual não alcança o outro, por isso, não se consegue colocar no lugar do próximo. Estamos a viver o maior individualismo da história humana. A falta da empatia, do toque físico, do acolhimento, do contacto ocular e na ausência da presença física faz com que a pessoa não veja o outro, não o perceba, não note a presença do outro e, consequentemente, não se coloque no lugar dele”, explica.
Rede social como exposição de vaidade e pseudo-felicidade
Para Fabiano de Abreu, na rede social todos exibem vidas supostamente perfeitas, longe da realidade: “A necessidade da felicidade como objetivo, e não como consequência, faz com que criemos um mundo irreal em que, para o outro, transparecemos felicidade, mas não somos”.
“Este mundo perfeito exposto nas redes sociais criou uma disputa para sermos mais e melhores do que os outros. Na era do virtual, temos dificuldade em admitir que somos apenas humanos. Isso faz com que cada um viva a sua realidade inventada e estagnada nas fotos das redes sociais. Temos vidas fictícias fragmentadas em momentos que apenas nos alegra o impacto que isso causa no outro”, salienta.
Segundo o filósofo, o exagero, na medida do chamado amor próprio, também contribuí para o aumento da indiferença. “O incentivo ao amor próprio exagerado na era dos profissionais, que educam as pessoas a amarem tanto a si mesmo, faz com que elas não saibam diferenciar o que seria saudável, um equilíbrio. Colocar-se no lugar do outro afeta alguns dos comportamentos mais comuns dessa geração”.
Fabiano de Abreu revela que as redes sociais acabam por contribuir com o individualismo, embora tenham a proposta de conectar mais as pessoas. “Antes da existência da rede social, era mais difícil eliminar as pessoas que não gostávamos das nossas vidas. Com a rede social é fácil, consiste apenas no aceitar a pedido de amizade ou excluí-la simplesmente e até mesmo bloquear. No final, não nos colocamos no lugar do outro, nem nos preocupamos com o outro e estamos sempre sozinhos mesmo no meio da multidão”, refere.
Qual a solução para uma sociedade com mais empatia?
O filósofo aponta que a humildade é a solução para que exista mais empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro e de se sensibilizar com o próximo.
“Humildade é crucial para que possamos ter uma vida melhor. Humildade natural cognitiva, é uma humildade que vem de nossa natureza ou trabalhada ao longo da vida. Natural, pois a humildade artificial é percebida pelo cognitivo alheio, causa rejeição e é motivo de piada. A humildade prevalece à compaixão, que é a necessidade de ouvir o outro. Quem não é humilde não respeita, não sente compaixão, não se identifica com o outro”.

Sobre Fabiano de Abreu
Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e personal branding luso-brasileiro. Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional.
Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países.
Como filósofo criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais, no Brasil. Lançou o livro ‘Viver Pode Não Ser Tão Ruim’ no Brasil, Angola, Paraguai e Portugal. Membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo, Fabiano foi constatado com o QI percentil 99, sendo considerado um dos maiores do mundo.